Afinal, o que são e no que diferem os alimentos orgânicos dos convencionais?



É possível observar o aumento de variedades de produtos orgânicos nas prateleiras dos mercados, em feiras e na preferência de profissionais da gastronomia. Mas, afinal, o que são alimentos orgânicos?


A agricultura orgânica se compromete com a utilização sustentável dos recursos, de modo a preservá-los. Para tanto, não são utilizados produtos que coloquem em risco o meio ambiente e a saúde do consumidor.


No Brasil, seguindo a tendência da “revolução verde” iniciada na Europa, que pretendia fomentar a atividade agrícola, incentivou-se, na década de 1960, a intensa utilização de agrotóxicos, fazendo com que esses químicos ganhassem o mercado. Hoje se sabe que não existe quantidade ou manejo seguro de agrotóxicos, tanto quanto em relação à saúde quanto ao meio ambiente. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil lidera o ranking mundial de aquisição de agrotóxicos - utilizados em cerca de 70% da produção agrícola do país.


É comum a grande variedade de alimentos disponíveis durante todo o ano nas feiras e gôndolas dos mercados e para isso é preciso modificar o ciclo natural de crescimento e maturação dos vegetais. A agricultura orgânica não usa produtos químicos nocivos à saúde do agricultor ou de seus consumidores. De acordo com cada tipo de solo, época do ano e clima, são utilizadas técnicas apropriadas para que as plantações sobrevivam e se desenvolvam, mas sem que haja danos ao solo, água e no sabor dos vegetais.






Ao passar do tempo, muitas regiões optaram por monoculturas em função de seu valor de mercado, sua vocação e clima ou até mesmo por suas necessidades em geral. O uso intensivo do solo para cultivo de uma ou poucas culturas pode acarretar no desequilíbrio e esgotamento de nutrientes importantes. Outra desvantagem da monocultura é a vulnerabilidade de agricultores e empresários quanto ao ataque de pragas e insetos com potencial de devastar a plantação. No caso da agricultura orgânica, convém diversificar a produção principalmente para criar barreiras físicas que protejam a cultura. No entanto, ao passo que a indústria química desenvolveu defensivos agrícolas para combater pragas e insetos nocivos, a engenharia genética (sementes geneticamente modificadas) criou sementes resistentes aos defensivos, pois as sementes convencionais já não seriam capazes de resistir a esta carga química.


Mesmo com grandes produções para fins comerciais, os orgânicos asseguram a fertilidade dos solos e evitam erosões, pois utilizam técnicas e sistemas de manejo sustentáveis. A diversidade de culturas dentro de uma mesma área é uma técnica bem utilizada pelos agricultores de modo a proteger as plantações de algumas pragas. Além disso, evita que o solo seja sobrecarregado, criando um equilíbrio no sistema.


Para ser considerado orgânico o produto precisa ser produzido em ambientes livre de agrotóxicos, onde todos os vegetais sejam orgânicos, minimizando as chances de contaminação e se tornando independente de insumos agroindustriais que envolvem processos de degradação ecológica. Além disso, as sementes precisam ser orgânicas, sendo proibido o uso de transgênicos.


A agricultura familiar é um dos modelos mais comuns de cultivo orgânico no Brasil - cerca de 75% -, que além de proporcionar a sustentabilidade econômica e social dessas famílias, contribui para uma relação mais próxima entre produtor e produtos, a medida que envolve trabalho manual.


O Brasil tem grande potencial para o desenvolvimento desse modelo, pois conta com diversidade climática e de solos, além de extensa área para a prática agrícola.


Existe incentivo do governo por meio de linhas de financiamento e projetos de transição de produções tradicionais para orgânicas. Também há o “banco comunitário de sementes”, que funciona desde 2007, criado com a intenção de integrar os produtores e proporcionar trocas de experiências.


O consumo de orgânicos, além de ser favorável a saúde, contribui para o fortalecimento da agricultura familiar e para a conservação dos recursos naturais. Talvez seja hora de repensar alguns hábitos e acabar com alguns comodismos em prol de maior sustentabilidade e qualidade de vida.